10 Abr
O que faz um verdadeiro 4×4
O primeiro veículo fora de estrada foi apresentado em 1910, de lá para cá muita coisa evoluiu. O conceito de carro forte e simples ainda é visto como primordial para algumas marcas, outras apostam no conforto. Mas a alma de um verdadeiro off-road permanece: nesta seção você vai encontrar um pouco daquilo que realmente faz um verdadeiro veículo off-road.
4×4
Poderíamos dizer que a tração nas quatro rodas é a grande arma do off-road. Alguns modelos possuem a tração integral como é o caso dos Land Rover e Niva. Mas a grande maioria - Willys, Mitsubishi, Toyota, JPX - possuem a tração inserível. A grande vantagem da tração 4×4 mostra-se em pisos escorregadios, lamas, grandes inclinações e alguns obstáculos. Vale lembrar que não é recomendável andar no asfalto seco com a tração ligada. As rodas dianteiras e traseiras não rodam exatamente à mesma velocidade. Em terrenos escorregadios esta diferença acaba sendo compensada, o que não acontece no asfalto
Roda Livre
Os veículos fora de estrada possuem um mecanismo na tração dianteira chamado roda-livre. Este mecanismo permite desligar completamente o diferencial dianteiro, poupando a mecânica e reduzindo o atrito. Existem dois tipos de roda-livre: manual e automática. A manual possue uma chave, no eixo, com duas posições 4×2 e 4×4 (ou Lock e Free). A automática engata-se quando fizer necessário.
Bloqueio de diferencial
É muito comum na prática do off-road o veículo ficar preso em um obstáculo quando a roda de um lado perde aderência, absorvendo toda a potência do motor, enquanto a outra fica parada. Para isto existe o bloqueio. Ele faz com que a potência do motor seja enviada para a roda que tem maior aderência. Existe basicamenete dois modelos de bloqueio: o bloqueio de anilhas que, quando uma roda ultrapassa um limite de rotação em relação à outra a potência é transmitida à roda que gira mais devagar. O bloqueio tipo Torsen funciona com um sistema de três duplas engrenagens que se controlam entre si. Há ainda o bloqueio de diferencial central que equipa os Land Rover e Niva. Aqui só existe a possibilidade de bloquear o diferencial central, levando a potência ao eixo traseiro ou dianteiro, aquele que tiver maior aderência.
Angulo de entrada ou ataque
É formado pelo ângulo entre a parte mais saliente à frente do carro e o solo. Quanto maior o ângulo menos problemas você terá ao entrar em uma situação off-road.
Angulo de saída
O mesmo que o ângulo de ataque, só que na parte traseira do jipe. É comum ver a colocação de acessórios, como reboques, que reduzem este ângulo diminuindo assim a performance do carro.
Suspensão
A suspensão é outro ponto forte dos 4×4. Existe basicamente dois tipos: mola helicoidal e feixe de molas. Hoje os veículos off-road mais elogiados, JPX e Land Rover, possuem suspensão por molas helicoidais. Outros utilizam o modelo por feixe de molas como é o caso dos lendários Willys e do Suzuki Samurai.
Estes são alguns pontos que levam um verdadeiro off-road a qualquer parte. Em outras oportunidades falaremos deles detalhadamente.
20 Jun

8 Abr
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Enviado por Salobabá
Ter um Jeep e ir até onde ele conseguir chegar |
| Rir sem absolutamente razão nenhuma |
| Rir por alguma coisa que você lembrou da última trilha que fez |
| Os amigos |
| Acordar no meio da noite só para ter certeza que ainda é cedo para ir para o ponto de encontro |
| Fazer novos amigos ou ficar junto dos velhos |
| Conversas à noite com seu colega de barraca que não te deixa dormir |
| Viagens com os amigos |
| Chegar ao fim de uma trilha difícil |
| Passar o tempo com os amigos, falando de Jeeps |
| Encontrar com um velho amigo e descobrir que jipeiros nunca mudam |
| Rir até sentir o rosto doer |
| Dirigir numa estrada bonita |
| Conseguir ouvir sua música preferida no rádio do Jeep |
| Arriar a capota |
| Ver o nascer do sol |
| Levantar todo dia e agradecer a Deus por outro lindo dia! |
| Passar um lindo dia na trilha |
| Passar um dia feio e chuvoso na trilha |
| Dar um presente para o Jeep |
| Ouvir acidentalmente alguém falando que seu Jeep é bonito |
| Descer do Jeep, no meio da lama, para ajudar o amigo em apuros |
| Abraçar o amigo que acabou de desatolar |
| Rir das próprias besteiras na hora de passar por aquela imensa erosão |
| Rir das besteiras dos outros realizadas durante toda a trilha |
| Rir de você mesmo quando se lembra daquele primeiro Jeep |
| Chegar cheio de barro para o almoço |
| Causar furor ao entrar no restaurante |
| Almoçar 5 horas da tarde, depois de um dia inteiro comendo bolacha |
| Saber que, exceto raras exceções, todo mundo te acha meio doido |
| Ver fotografias de trilhas |
24 Mar
Jornalista, fotógrafo, documentarista e guia ecológico, Tito Rosemberg, que já conheceu 66 países, mostra que seu espirito de aventura o levou a experiências off-road da grandeza do Camel Trophy, como exemplo. Confira nesta primeira parte da entrevista um pouco da sabedoria de vida de Tito Rosemberg, que fala sobre culturas, off-road, meio ambiente e muito mais…
Planeta Off-Road: Em todas suas viagens pelo mundo, o que mais marcou?
Tito Rosemberg: A percepção de que nós, os quase seis bilhões de habitantes do planeta Terra, no fundo, somos todos iguais. Tuaregs e nordestinos, Kaiapó e esquimó, turcos e mineiros. Jipeiros e artistas plásticos. Percebi no mundo inteiro a necessidade dos seres humanos de desenvolver suas individualidades, mas sempre batendo de frente com o desejo da “sociedade”, de que nos enquadremos dentro dos parâmetros muito restritos do que se convencionou chamar de “normalidade”. As pessoas mais criativas de todas as culturas, são geralmente as mais discriminadas. O aventureiro, que geralmente segue os caminhos menos viajados, tem que vencer não só os desafios que o mundo externo - florestas, desertos, montanhas - lhe apresentam, mas também superar os dogmas internos, sedimentados por milênios de preconceitos, que nos levam a viver passivamente.
Planeta Off-Road: O que mais lhe chama a atenção quando se fala em diferenças culturais nos diversos países que conheceu?
Tito Rosemberg: A constatação de que não existe o que se chama de “verdade”. O que num lugar é proibido, em outro é estimulado. O que é uma “vergonha” num lugar, pode ser um ato “respeitável” noutro lugar. O que é normal aqui, é absolutamente anormal noutra cultura. Entretanto, com o surgimento da televisão e da antena parabólica, a comunicação uniu de maneira definitiva todas as culturas do planeta. Os tuaregs no meio do deserto do Sahara podem estar assistindo em tempo real ao jogo do FLA X FLU, no Maracanã. Os massacres na Argélia chegam em nossas casas, através das telinhas, quase que instantaneamente ao incidente. Os grandes vazamentos de petróleo, bem como todas as destruições ambientais, estão sendo levados ao conhecimento de bilhões de pessoas. E as reações são também planetárias. Os brasileiros não podem mais queimar a Amazônia sob o risco de serem censurados pelos olhos chocados do mundo inteiro, e assim por diante.
Planeta Off-Road: E sobre as diferenças no off-road? Como é o esporte nestes países
Tito Rosemberg: Nos países onde a renda é menos concentrada, e o dinheiro é distribuído por uma parcela maior da sociedade, há obviamente mais práticas esportivas motorizadas. O 4X4 é uma atividade quase que exclusiva da classe média para cima, seja no Brasil ou no Japão. A grande diferença é que enquanto no Brasil somos uma classe média de três ou quatro indivíduos, nos Estados Unidos há milhões de pessoas na tal de classe média, e por isto o 4X4 está muito mais difundido. Numa escala menor em relação aos USA, a Europa também está sendo palco de um grande desenvolvimento no uso de veículos tracionados, não somente na prática de esportes, mas também nas viagens de longo curso e nas aventuras individuais de final de semana. Em todos os cantos do mundo, o ser humano precisa de aventura, e, já que a vida sedentária vai contra seus sonhos de mais emoção, o 4X4 tem se tornado uma excelente válvula de escape para um número crescente de pessoas sedentárias em seu cotidiano. Nota-se nos países desenvolvidos (e o Brasil não está neste grupo), uma preocupação muito grande dos jipeiros e motociclistas off-road, de, não somente reduzir o impacto ambiental de suas aventuras, mas também de aliar-se aos grupos ecológicos em campanhas de conscientização ambiental. Nos últimos anos, o crescimento da preocupação com o meio ambiente foi muito maior do que o número de novos jipeiros, fazendo crescer uma visão, parcialmente correta, do 4X4 como uma atividade predatória. Os ecologistas de uma forma geral, e no mundo inteiro, consideram os offroadistas como vândalos poluidores. Por esta razão, há por todos os cantos do mundo, e cada vez mais organizado, um acirrado movimento anti-4X4. Neste confronto, cabe aos jipeiros desarmar esta bomba relógio, aceitando os ambientalistas como parceiros na preservação da natureza. Para que haja esta aceitação, cabe aos amantes do 4X4, familiarizarem-se com as regras da prática sustentável de esportes na natureza, e desenvolver atividades que venham a recompor os ecossistemas que porventura já estejam depredados, seja pelos jipeiros ou por outros agentes. Mesmo que a culpa não seja nossa, cabe a nós, que podemos chegar com nossos veículos onde o poder público raramente chega, de nos preocuparmos com a correção dos danos ambientais, unindo o agradável ao útil.
Planeta Off-Road:Qual é o fato que torna uma expedição de jipe inesquecível?
Tito Rosemberg: Toda expedição é inesquecível, assim como os mestres de quem gostávamos quando crianças. De jipe ou de veleiro, de esqui ou bicicleta e até à pé, uma viagem, por mais simples que seja, é como um curso de pós-graduação em viver. O jipe serve para quem está com pressa e quer levar um monte de tralha, sejam câmeras, pranchas ou panela de pressão. À pé ou de bicicleta, você vê, cheira e sente o verdadeiro sabor do local visitado. Num veículo, o distanciamento entre o viajante e a natureza e cultura local é muito maior, mas pode ser compensado por um ritmo lento na expedição e maior tempo dedicado ao convívio com as populações tradicionais. Muita gente viaja para marcar mais um país no passaporte, como os pistoleiros faziam no punho de seus revólveres depois de matar mais uma vítima. Se viajar por si só fosse um fator de crescimento filosófico e espiritual, cada avião da varig que chegasse de fora traria de volta centenas de pessoas iluminadas, o que sabemos não é verdade. Para que uma viagem seja realmente proveitosa, há que se estabelecer um vínculo forte entre o viajante e a cultura local, os elementos naturais e até as características geográficas por onde passamos. Do contrário, poderemos estar somente trocando o documentário da televisão pelo pára-brisas do veículo, uma experiência passiva, um olhar raso.
Planeta Off-Road: O que é atravessar um deserto?
Tito Rosemberg: Através dos séculos, muita gente boa tem ido procurar o autoconhecimento nos desertos. Entre eles, Buda, Jesus Cristo e Moisés. Por sua característica de quase total nudez vegetal, o deserto é uma experiência limpa, nítida, onde nossas mentes podem dedicar-se à contemplação sem ser poluída por excessivos impulsos externos. O ar limpo, silencioso e seco dos desertos permitem ao viajante, à qualquer momento do dia, poder enxergar longe, tomar consciência de sua vastidão, e da nossa pequenez diante das forças da natureza, ali explicitadas sem camuflagem alguma. O deserto é uma sensação que deveria ser experimentada por mais gente, pois apesar de sua aparente simplicidade, a convivência com ele nos faz perceber as sutilezas da natureza, das pedras, da areia e dos ventos, e de nossas almas diante de uma poderosa, porém serena, vivência. Quem tem medo do deserto deve também ter medo de ver-se por dentro. Além do mais é uma ótima forma de fazer-nos reconhecer o espetáculo que é uma floresta ou um jardim. Vivemos no paraíso, apesar de poucos perceberem.
Uma viagem é como um curso de pós-graduação em viver”. Com essa filosofia, Tito Rosemberg já conheceu 66 países de 5 continentes, montando um acervo com 40 mil slides, 10 mil fotos e 200 horas de vídeo..
Planeta Off-Road: Como foi a aventura do Camel Trophy?
Tito Rosemberg: Uma loucura! Eu consegui participar pois estava mais a fim de me divertir do que de competir. Por natureza, tenho um espírito pouco competitivo, e a adrenalina que aflora numa hora destas não me faz confortável. Por isto, há décadas que não participo de nenhum tipo de disputa: não faço ralís, não jogo cartas, não jogo nem futebol nem outro esporte que envolva na vitória de um e na derrota de outro. É uma situação peculiar: se perco, fico triste por perder, se ganho, fico triste pois fiz alguém sentir-se derrotado. Daí, que prefiro optar por um comportamento talvez excêntrico, mas que me permite viver menos atordoado. Esta é a principal razão, de depois de muitas décadas pilotando 4×4 e surfando pelos cinco continentes, nunca ter participado de ralís, enduros nem campeonatos de surf, e que às vezes dificulta minha participação em eventos 4×4. Fui para o Camel Trophy sabendo de antemão que já havia ganhado o melhor prêmio: poder participar de uma aventura alucinante em Bornéu, na Indonésia, mesmo estando completamente sem grana naquela época. Durante o Camel Trophy, cheguei a ser criticado por um jornalista brasileiro presente ao evento, pois “não estaria tentando trazer o caneco para o Brasil”, quando na verdade o que eu queria era poder participar desta fantástica aventura que é “viver o Camel Trophy”. Nosso (Carlos Probst e eu) Land Rover foi o primeiro na história do Camel, a levar a bordo um toca-fitas, onde roncavam Jimmy Cliff, Gal Costa e Eric Clapton. À noite, quando acampávamos, era em torno de nosso carro que a festa de congraçamento entre aventureiros de diferentes nacionalidades, rolava. Enquanto os outros “competidores” recuperavam suas energias para as disputas do dia seguinte, nós aproveitávamos para dividir experiências com os outros pilotos, os mecânicos da Land Rover e os membros da organização do evento, cada um uma figura marcante e com muitas histórias para contar. No final, quando os participantes votaram no primeiro Troféu Espirito de Equipe da história do Camel Trophy, Carlos e eu ganhamos porque fomos para nos divertir e não para ganhar. Meu barato é viajar e conhecer outras culturas e tradições, e os veículos tracionados são perfeitos para isso.
Planeta Off-Road: E o que significou o Troféu Espirito de Equipe?
Tito Rosemberg: Significou o reconhecimento dos nossos companheiros de aventura, de que a tartaruga e a lebre sempre acabam chegando junto, e de que na vida não há atalhos. Com o pouco treinamento que pudemos ter aqui no Brasil antes da viagem, e com o excelente preparo que as equipes estrangeiras tiveram, durante vários meses antes da prova, nossas chances de ganhar o prêmio por resultados eram muito pequenas. Daí que nós nos preparamos mesmo era para fazer muitos amigos, o que realmente aconteceu. Os dois outros brasileiros que competiam em outro Land Rover, foram para ganhar, e além de não conseguirem, não fizeram amigos e no final já nem se falavam um com o outro. Ao contrário deles, Carlos Probst, que conheci na seletivas do Camel e que também preferia o prazer antes da vitória, tornou-se um dos meus melhores amigos, como somos até hoje.
Planeta Off-Road: De todos os lugares que visitou, qual foi o mais bonito?
Tito Rosemberg: Sem dúvida nenhuma o Sahara. O Arquipélago das Anavilhanas, no Rio Negro, o Pantanal brasileiro, a Califórnia e as ilhas gregas são difíceis de se comparar mas são lugares inexplicavelmente magnéticos e de uma beleza cativante. O estado do Utah, nos USA, perto dos parques nacionais de Bryce Canyon, Zion, Arches e Canyonlands, também é de arrasar, principalmente no sul. Búzios, onde moro parte do ano, também já foi um paraíso, mas a especulação imobiliária a está transformando num favelão. Se a prefeitura local não reservar as poucas áreas virgens para parques e outras unidades de conservação, já já vai virar Camboriú ou Guarujá.
Planeta Off-Road: Alguma história interessante, curiosa e bizzara ?
Tito Rosemberg: Interessante, curioso e bizarro mesmo é o comportamento dos funcionários das embaixadas e consulados brasileiros no exterior. Arrogantes e antipáticos por definição, apesar das poucas mas honrosas exceções, os funcionários dos consulados acham que estão acima do bem e do mal quando tratam com os brasileiros fora do país. Ao precisar de qualquer serviço num destes locais, o cidadão brasileiro e mesmo estrangeiro é tratado como se fosse um sacoleiro em apuros com as leis locais, ou um traficante em férias ou um trabalhador ilegal. São tantas e tão diversas as minhas experiências envergonhantes nos consulados e embaixadas, que diversas vezes pensei em mudar de nacionalidade só para poder me sentir respeitado. Creio que 99% das vezes em que precisei de alguma coisa numa repartição diplomática brasileira no exterior, não tive sucesso. Acho o comportamento dos diplomatas brasileiros interessante, curioso e certamente bizarro.
Planeta Off-Road: Melhor momento da sua vida?
Tito Rosemberg: O hoje! Não sei o que me passa, mas hoje, quando chego aos 51 anos de idade, vejo minha vida passada e atual como muito boa, e melhorando. Não sou religioso, mas espiritualizado, respeitando as mais de 100 religiões que encontrei pelos quatro cantos do planeta. E como a espiritualidade é a única garantia de felicidade plena, acho que a cada dia fico mais tranqüilo e integrado com minha lenda pessoal. Isso não quer dizer que durmo sobre um colchão de pétalas de rosas, pois toda rosa vem de uma roseira cheia de espinhos. Acho que os espinhos da vida são as experiências mal vividas, e isso geralmente acontece quando nós não estamos sintonizados com aquilo que realmente queremos fazer. Quanto menos nossa personalidade for um roteiro de filme, mais felizes seremos. Com os pés no chão e a cabeça nas nuvens, persigo os meus sonhos como se fossem nada mais do que um aperitivo do que vai vir pela frente. Sei que quando durmo, se sonhar com um fusquinha 72 acabado ou com um Land Rover zerinho, ao acordar, o custo terá sido o mesmo, e por isto sempre sonho com coisas boas, lugares agradáveis e experiências enriquecedoras. Mesmo quando no meio da maior confusão profissional, desilusão amorosa, dureza total ou impasse filosófico, sempre mantenho a fé de que, imbuído de boas intenções, tentando ser melhor e servindo aos outros, conseguirei chegar ao estado da plena satisfação.
Extraído do site: http://www.planetaoffroad.com/p04z.htm em 24/03/2008
24 Mar
O que faz um verdadeiro 4×4
O primeiro veículo fora de estrada foi apresentado em 1910, de lá para cá muita coisa evoluiu. O conceito de carro forte e simples ainda é visto como primordial para algumas marcas, outras apostam no conforto. Mas a alma de um verdadeiro off-road permanece: nesta seção você vai encontrar um pouco daquilo que realmente faz um verdadeiro veículo off-road.
4×4
Poderíamos dizer que a tração nas quatro rodas é a grande arma do off-road. Alguns modelos possuem a tração integral como é o caso dos Land Rover e Niva. Mas a grande maioria - Willys, Mitsubishi, Toyota, JPX - possuem a tração inserível. A grande vantagem da tração 4×4 mostra-se em pisos escorregadios, lamas, grandes inclinações e alguns obstáculos. Vale lembrar que não é recomendável andar no asfalto seco com a tração ligada. As rodas dianteiras e traseiras não rodam exatamente à mesma velocidade. Em terrenos escorregadios esta diferença acaba sendo compensada, o que não acontece no asfalto
Roda Livre
Os veículos fora de estrada possuem um mecanismo na tração dianteira chamado roda-livre. Este mecanismo permite desligar completamente o diferencial dianteiro, poupando a mecânica e reduzindo o atrito. Existem dois tipos de roda-livre: manual e automática. A manual possue uma chave, no eixo, com duas posições 4×2 e 4×4 (ou Lock e Free). A automática engata-se quando fizer necessário.
Bloqueio de diferencial
É muito comum na prática do off-road o veículo ficar preso em um obstáculo quando a roda de um lado perde aderência, absorvendo toda a potência do motor, enquanto a outra fica parada. Para isto existe o bloqueio. Ele faz com que a potência do motor seja enviada para a roda que tem maior aderência. Existe basicamenete dois modelos de bloqueio: o bloqueio de anilhas que, quando uma roda ultrapassa um limite de rotação em relação à outra a potência é transmitida à roda que gira mais devagar. O bloqueio tipo Torsen funciona com um sistema de três duplas engrenagens que se controlam entre si. Há ainda o bloqueio de diferencial central que equipa os Land Rover e Niva. Aqui só existe a possibilidade de bloquear o diferencial central, levando a potência ao eixo traseiro ou dianteiro, aquele que tiver maior aderência.
Angulo de entrada ou ataque
É formado pelo ângulo entre a parte mais saliente à frente do carro e o solo. Quanto maior o ângulo menos problemas você terá ao entrar em uma situação off-road.
Angulo de saída
O mesmo que o ângulo de ataque, só que na parte traseira do jipe. É comum ver a colocação de acessórios, como reboques, que reduzem este ângulo diminuindo assim a performance do carro.
Suspensão
A suspensão é outro ponto forte dos 4×4. Existe basicamente dois tipos: mola helicoidal e feixe de molas. Hoje os veículos off-road mais elogiados, JPX e Land Rover, possuem suspensão por molas helicoidais. Outros utilizam o modelo por feixe de molas como é o caso dos lendários Willys e do Suzuki Samurai.
Estes são alguns pontos que levam um verdadeiro off-road a qualquer parte. Em outras oportunidades falaremos deles detalhadamente.
Fonte: Planeta Off Road
24 Mar
Aviso Importante: Caso você seja jipeiro (veja qual seu tipo), não acredite de maneira alguma nos BOATOS sobre a criação do SINDZECA !!! Esta informação parte de um grupelho de Zequinhas ainda não cientes de seus direitos e deveres, NÃO, repito, NÃO devendo ser levada a sério. A formação do SINDZECA não passa de sonho de poucos. Afinal, a vida de um Zequinha já tem diversão demais e trabalho de menos. Veja Direitos e Deveres do Zequinha. Página clandestina do SINDZECA.
Zequinha é … (segundo personalidades)
1.A prospecção geometafísica da degradação humanofactóide - Vera Loyola / Pensadora2.
2.Um Ser em busca de upgrade social, pretendendo ser navegador ou piloto - Danusa 3.Leão / Escritora, Um Zeca pequeno - Carla Perez / Filósofa
“Zequinha”, para quem, ainda não sabe, é aquele singular passageiro do Jeep alheio, felicíssimo por conseguir uma carona e, assim, vivenciar aventuras incríveis, por lugares onde tudo pode acontecer. Santa ingenuidade! A não ser que o banco traseiro esteja entulhado de coisas indispensáveis, tais como Barraca, Comida, Fogareiro, Ferramentas, Galão de água, Isopor abarrotado de Cerveja é claro, etc.
O Zequinha costuma ser um Companheiro até muito bem-vindo, desde que, lógico, siga a risca o Manual de Conduta do bom Zequinha, que se resume mais ou menos em Abrir e Fechar todas as Porteiras que aparecerem pelo caminho, descer do carro para ligar a roda-livre, puxar o cabo do guincho e encontrar um bom ponto de ancoragem, abastecer o Piloto e o Navegador de água, refrigerante e principalmente Cerveja e Comida a vontade, durante a viagem, e nunca, em hipótese alguma, reclamar de nada, deve estar sempre bem humorado. É uma função bastante Nobre, pois tudo o que não seja dirigir e roteirar é de sua inteira responsabilidade, e deve ser cumprida com precisão e Lealdade. Boa Performance e Desempenho numa Incursão OFF-ROAD é primordialmente seu LEMA.
A Grande saida para um Bom e Eficiente “Zequinha”, é adquirir um JEEP, e sair de vez dessa vida de Bom e Cumpridor dos deveres de um Zequinha
<><>HISTÓRICO
Antes do Império Romano já encontramos registros sobre a existência deste elemento estranho: - o Zequinha. Já naquela época eles se proliferavam em todo o mundo pegando carona em animais, em bigas e todo e qualquer veículo que proporcionasse um certo conforto no sentido de não ter que fazer nada, a não ser olhar a paisagem. Os meios de transporte foram evoluindo, tanto em terra firme, quanto em água . Nesta época surgiu o zequinha aquático, também da família dos zequinhozauros caroneirewsky, porém com mais vocação para atividades braçais, pois no mar, fossem em caravelas, jangadas ou barcos vikings, a lei era trabalhar para pegar carona. Esta fase foi muito conturbada nos portos onde se destacaram os Sindicatos dos bizantinos e dos gauleses, que lutavam em vão por uma carona sem trabalho braçal. Tal luta não modificou a situação que permanece até hoje: - ZEQUINHA TEM QUE TRABALHAR!!!
Resumimos neste humilde trabalho os deveres e dkireitos do Zequinha dos anos 2.000
O que é um Zequinha ???
“……. Existe toda uma hierarquia para pilotar um Jeep de terceiros. Primeiro tem toda uma escola de formação de Zequinhas, ajudante do navegador e do piloto.
Zequinha é aquele que vai no banco de trás (quando há banco, se não, vai no meio das ferramentas) alcança a bebida, paga o pedágio, cuida da comida, desce para oferecer-se como abridor e fechador de porteiras, nunca fala sem ser solicitado, não se queixa dos saculejos, tampouco opina na navegação.
Ah, e se houver erro de navegação, deve assumir o erro como seu, mesmo sem ter opinado antes. Deve sempre levar o lanche e perguntar, antes da prova ou passeio que tipo de sanduíches o piloto e o navegador gostam.
E quando chega numa roda de jipeiros, deve enumerar as grandes qualidades do seu piloto, duvidando existir piloto igual no mundo.
Uma flanela úmida é sempre bem vinda na mão do Zequinha que deve conservar limpos o Jeep e os assentos do piloto e o do navegador. Sorrir, sempre!!!
Depois de uma temporada como Zequinha, pode ser convidado a navegar para seu piloto, quando da falta do navegador. E depois de duas ou tres vezes navegando, pode manobrar o Jeep do piloto, num posto de gasolina e sugerir a calibragem dos pneus. Ao manobrar a primeira vez, deve elogiar e citar o prazer de dirigir aquele que é o melhor Jeep do mundo do seu piloto.
Após algumas navegadas, pode o piloto oferecer seu Jeep ao então já navegador para que este dirija-o de volta para casa, após uma trilha. Daí, o navegador e ex- Zequinha, pode comprar um Jeep que deve obter a aprovação do seu antigo piloto (jamais um melhor do que o do seu ex-piloto para não haver constrangimento) e virar um piloto de verdade e passar a ter direito a um Zequinha e tudo mais que ele já sabe!!!…..”
ORAÇÃO DO ZEQUINHA
Só passearei por esta trilha uma única vez, se não for um bom Zeca.
Assim, todas as boas ações que eu possa praticar e todas as gentilezas que eu possa dispensar ao meu piloto, devo aproveitar qualquer momento para fazê-lo.
Não devo adiá-las nem esquecer-me delas.
Fazer mais do que é preciso e nunca menos do que convém.
Ser o primeiro onde o trabalho é muito e a tarefa é dura.
Que no “Jeep” hoje não falte o necessário, pois não voltarei a passear por esta trilha, se não tiver sido um bom Zeca!
PENSAMENTO UNIVERSAL DO ZECA
“Um Zequinha otimista sempre diz que a chuva resultará em lama”
Zequinha
Direitos & Deveres
CARGO: ZEQUINHA
DURAÇÃO: Paciência do Piloto ou falha no cumprimento do disposto no Manual do Zequinha.
DEVERES:
• Obedecer as ordens do piloto
• Ser voluntário para pagar a conta no posto de gasolina;
• Providenciar comida e bebida para o piloto;
• Encher o galão com água;
• Dar opinião apenas quando for questionado;
• Não tocar em nenhuma tecla/botão do painel, exceto com autorização do piloto;
• Em caso de atolamento, providenciar cintas e cabos para o reboque, bem como
prendê-los no jeep;
• Em caso de roda livre manual, acioná-la quando necessário;
• Pagar a taxa de inscrição da trilha para o piloto;
• Quando estiver entre os jipeiros, elogiar a perícia e ousadia do seu piloto, bem como
o estilo do jeep;
• Se houver travessia de rios, entrar e verificar a profundidade;
• Arrumar e organizar uma maleta com ferramentas e outra com roupas limpas, toalha,
sabonete, tênis limpo e desodorante, apenas para uso do Piloto;
• Ao chegar em casa lavar cuidadosamente o jeep;
• Não tocar no PX, salvo ordem do piloto;
• Ir ao posto mais próximo e pagar para lubrificar o jeep; encher o tanque, verificar o radiador e completar o óleo
• Pode tirar apenas uma foto, desde de que nela apareçam o jeep e o piloto;
• É sempre voluntário para abrir trilhas com picaretas, pás e facões, bem como abrir
e fechar todas as porteiras, sem que o piloto necessite se desgastar com estas ordens;
• Se houver churrasco no fim da trilha, providenciar rapidamente espetinhos para o piloto;
• É vetado ao zequinha sentar no banco do piloto;
• E finalmente quando ele perceber que o piloto está entediado com a trilha, deve se
oferecer com um largo sorriso no rosto, para ser amarrado no quebra-matos do
jipe. Desta forma, o jipeiro poderá entrar seguidamente em espinheiros só
para ver o Zequinha gritar e com isso quebrar um pouco o seu tédio.
DIREITOS:
• Não há nenhum direito significativo. Observação importante: Logo após a publicação do texto acima, surgiu uma tabela incluindo também os direitos do Zequinha. Veja abaixo.
Caros pilotos sugiro que estas normas sejam amplamente divulgadas, evitando desta forma
ter que mandar o Zequinha executar tarefas tão simples.
DEVERES DIREITOS
Servir cerveja gelada ao piloto e ao navegador Comprar a cerveja e o gelo, fornecer a caixa térmica
Acender cigarros para pilotos e navegadores fumantes Utilizar isqueiro ou caixa de fósforo, a seu livre critério
Ficar absolutamente calado, a não ser quando solicitado Respirar, porém sem ofegar, tossir ou espirrar
Escutar música no volume que estiver, sem pedir para abaixar ou aumentar, muito menos solicitar canções de sua predileção Dançar discretamente, desde que não balançe o jeep . Proibido cantarolar ou estalar os dedos
Trazer sanduíches saudáveis para o piloto e navegador em embalagens apropriadas, guardanapos e molhos diversos Se trouxer acima de quatro sanduíches poderá se alimentar no jeep, desde que não deixe cair farelos e não coma de boca aberta
Trocar pneus furados em menos de 10 minutos Usar o macaco
Abrir porteiras, colchetes e congêneres Utilizar a porta do navegador, caso não haja janela traseira
Morrer de rir das piadas contadas pelo piloto ou navegador, mesmo que sejam sem graça Pedir permissão para contar uma piada, desde que seja extremamente engraçada, sob pena de ser defenestrado do veículo
Não se incomodar com pertubações gastro-intestinais do piloto ou do navegador. Terminantemente proibida a liberação de flatos na atmosfera interna do veículo Pode solicitar a parada do veículo para a liberação dos flatos, desde que a soltura ocorra a 500 m do jeep e que respeite o tempo de espera necessário para o gás não “seguir” o dono
PRIMEIRO ENSAIO
DIREITOS DO ZEQUINHA
01 - NO PERCURSO, VER MUITOS SÓIS E O ESPLENDOR PRATEADO DE MUITAS LUAS.
02 - NO ESFORÇO DA CONQUISTA PELA LUTA, RECEBER A ALEGRIA E PALAVRAS QUE CONFORTAM.
03 - APRENDER A GUIAR-SE PELOS CAMINHOS DO MUNDO, VOAR COMO UM SER ALADO PLANANDO NOS HORIZONTES. TUDO COM MUITA ARTE E CIÊNCIA.
04 - NA FALTA DE RESISTÊNCIA FÍSICA, TEIMAR, REJEITAR E INSISTIR.
05 - NOSTALGIA PELA RELVA, DIANTE DOS VALES E DOS CAMPOS DE VERDURA BELA.
06 - RESPIRAR O AR, VIVER DE PERFUMES, OUVIR O MURMÚRIO DAS FOLHAS.
07 - AVENTURAR-SE NAS ÁGUAS MANSÍSSIMAS DOS RIOS E LAGOS.
08 - SER COMO O VENTO .
09 - FAZER PARTE DA SOCIEDADE MAIS NOBRE E ESTÁVEL .
10 - REPETIR AS MESMAS HISTÓRIAS QUE FICARAM NO PAINEL DAS LEMBRANÇAS…
Manual de Procedimento do Zequinha para aproximação e superação de porteiras:
1) Ainda com a viatura em movimento, abrir a porta, observando se não há nenhum obstáculo com que ela possa se chocar. Não vá estragar a viatura!!!!
2) Descer do carro enquanto ele freia. Nunca antes (Zequinhas de pé quebrado são sacrificados no local, pelo limpa-trilha) nem depois (ninguém vai esperar o carro parar para descer).
3) Fechar a porta da viatura bem fechada. Bater a porta fortemente é tolerado relativamente bem pela tripulação se isso vier acompanhado de todo o empenho por parte do Zequinha. Portas deixadas abertas que se chocam contra o batente da porteira ou outro obstáculo costumam ser causa de atropelamento do Zequinha. Nesse caso, executado pelo próprio piloto com concordância do Navegador, que dá as orientações necessárias.
4) Correr para a porteira com toda sua velocidade e jamais:
a) correr para o lado da dobradiça da porteira;
b) atrapalhar-se com o fecho ou com os arames farpados.
5) Abrir e manter aberta a porteira enquanto o veículo a transpõe;
6) Fechar a porteira rapidamente (nunca ficar do lado errado);
7) Correr para a viatura com todo o empenho, pisar no estribo e já começar a gritar para o piloto “Vai, vai!!”
Acreditar que o piloto “vai, vai” mesmo. Por isso, segurar-se firme no que puder enquanto ainda do lado de fora de viatura.
9) Abrir a porta e entrar na viatura, portanto, são ações secundárias. O bom Zequinha deve observar antes se obstáculos não impedirão a abertura da porta.
10) Entrar na viatura, fechar a porta sem bater;
11) Atar-se ao cinto de segurança imediatamente (uma penalização por Zequinhas sem cinto costuma encerrar sua carreira e a eventual amizade. que porventura haja, com os demais membros da tripulação).
12) Ficar em absoluto silêncio. Piloto e navegador terão mais o que fazer do que ouvir seus relatos sobre como a porteira estava pesada ou o tipo de tramela que tinha. Nada disso interessa. Lembre-se, cada um com seus problemas. Por isso, Zequinhas, cuidem-se. Seus dias de passageiro estão contados.
Decio Pedroso
Zequinhas:
o Geladeira de isopor de 20 litros - em torno de R$10,00
o Rolo de “silver Tape” para aumentar a resistência da geladeira - R$6,00
o Extensor (elástico) de moto - R$1,20 cada
o Uma dúzia de “latinhas”, daquelas que não dão dor de cabeça - R$12,00
o Garrafa de água mineral de 1,5l - R$1,00
o Sanduba de queijo com presunto e manteiga - em média R$0,60 cada
o Frutas secas (uma boa para se alimentar bem) - em média R$1,50 o pacote
Jipeiro iniciante:
o Niva barato em estado “encara-trilha” (com segurança) - R$5.000,00
o Jogo de correias (uma para trocar e outra de reserva) - R$14,00
o Óleos (freio, motor, caixas e diferenciais) - R$50,00
o Pneu Garra (excelente para a lama) - R$80,00 cada
o Câmara de ar (6.50×16) - R$14,00 cada
o Tow Bar - de R$150,00 a R$250,00
E agora ?
1º Estágio - Você ainda não tem grana para comprar seu próprio 4×4
Bom, pedir uma carona no jipe de alguém, ou seja, ir de “zequinha” pode ser bem animado, além de ser um ótimo estágio para quem quer começar. Mas cuidado! Você pode gostar tanto da coisa a ponto de se tornar um zequinha profissional.
Vamos lá! Para garantir seu lugar a bordo, arranje um isopor (se você quiser, pode ser um Igloo, neste caso, procure um que tenha alças, dobradiça na tampa e fecho). Coloque a alça que o acompanha e enrole-o com fita “Silver Tape” (aquela prateada que faz milagres). A intenção é reforçar toda a estrutura para que agüente melhor o tranco. Com a fita, você também pode fazer uma espécie de dobradiça para a tampa, usando um cinto velho ou velcro como fecho. Assim ela não fica voando pelo jipe, deixando que o gelo do isopor se derreta e seu precioso conteúdo fique quente. Um desastre!
O segundo passo é encher o isopor com gelo. Coloque uma dúzia de latinhas, uma três garrafas de água mineral das grandes e alguns sandubas caprichados. Outros “belisquetes” serão sempre bem-vindos. Pronto! Só não se esqueça de prender bem o isopor com um extensor, afinal, a pior coisa que pode acontecer no caso do jipe tombar, é um objeto voador acertando a cabeça de alguém. Agora, se além disso tudo você ainda souber fotografar (filmar, então, nem se fala), pode ter certeza, a galera vai disputar sua presença nas trilhas.
Mas não esqueça! Além do serviço de bordo, um zequinha tem que estar preparado para qualquer coisa. Desde abrir porteiras (e fechá-las, é claro!) e empurrar o jipe quando atolado a escutar o mau-humor do piloto e ainda fazer graça. Portanto, preguiça, nem pensar! Disposição, camaradagem e alto-astral são requisitos fundamentais.
Por outro lado, ser um zequinha tem suas vantagens. Você nunca vai se aporrinhar de tanto esperar pelo jipe, que foi só fazer um “pequeno” conserto naquele mecânico “amigo”. Como também não vai conhecer a ira dos seus vizinhos, só porque você entupiu o ralo da garagem, enquanto tentava tirar um pouco da lama que sobrou da trilha.
2º Estágio - Você está quase comprando um jipe
Por sorte, ou melhor, por obra e graça Divina, resta uma graninha em sua conta bancária. Mas o quê comprar? Alguns sugerem para você passar fome por mais dez anos até conseguir um Land. Outros mais “camaradas”, dizem para você ficar com aquele Willys barato, que está parado há vinte anos no sítio de sei-lá-quem. A intenção até que é boa, mas eles se esquecem de dizer que você também vai ter que virar sócio daquela oficina da esquina.
Nenhuma solução boa aparece, até que, do nada, pinta um jipinho. Um Niva, por exemplo. A aparência sugere algumas cirurgias plásticas, o motor até que não ronca mal e o precinho… Hummm, cabe certinho nas suas economias. E o melhor, ainda dá para colocar um jogo de pneus lameiros e tomar aquele chopinho em comemoração.
Vá devagar, comprar um jipe usado requer alguns cuidados! Em primeiro lugar, quando for ver o carro, dê uma olhada no lugar onde ele está estacionado. Se houver um vazamento de óleo, a prova estará no chão. Por outro lado, acredite sempre na regra número um dos jipes, se não está pingando óleo é porque pode estar sem óleo. Portanto, peça para levar o carango num posto e coloque-o num elevador. Confira o nível dos óleos e se tudo está ok. Sabe como é… Se nada está fora do lugar ou quebrado.
O próximo passo… Alguém disse alguma coisa? Ah, você não entende nada de mecânica! Bom, então faça da seguinte formaAbra o capô e dê uma olhada geral. Parafusos e porcas com marcas de esforço indicam que aquilo que você está olhando (digamos que seja o motor) foi mexido várias vezes e pode estar com problemas. O mesmo serve para a parte elétrica. Muitas emendas, fios desencapados e fita isolante para todo lado é pane na certa.
No caso do Niva, você deve dar uma atenção especial à lataria, pois ele é monobloco. Ou seja, massa por todo lado pode ser um péssimo sinal. O que fazer, então? Leve um ímã e encoste onde estiver estranho, principalmente naqueles lugares que se assemelham a uma casca de laranja. Se o ímã não “grudar”, a coisa tá feia! Neste caso, o barato vai sair caro.
Outro ponto que merece atenção é o cubo da roda. Calma, é simples! Com o jipe levantado pelo “chassis” (use um elevador que não suspenda o carro pelas rodas), segure uma roda qualquer com uma das mãos em cima e a outra embaixo (12h e 6h, sacou?) e tente mexer para dentro e para fora. Caso você escute um toc-toc, o(s) rolamento(s) do cubo de roda está com folga. A solução vai de um simples ajuste da pré-carga (aperto) dos rolamentos até a troca deles. Não esqueça de verificar as outras rodas.
Agora, chegou a hora de dar uma volta no carango. Preste atenção em todos os barulhos que puder. Dirija com os vidros abertos e, depois, com eles fechados. Barulhos do tipo nhec-nhec geralmente são de buchas de suspensão gastas. Nada complicado! Aproveite também para sentir o carro. Ao pisar no freio, repare se ele aos poucos vai descendo. Em caso positivo, alguma coisa no circuito pode estar vazando. E, pela Lei de Murphy, é sempre a coisa mais carao cilindro-mestre.
Um detalhe que “entrega” muito carro ruim é o estado dos bancos. Quando eles estão surrados e até “afundados” de tanto uso é certo que o carro rodou pacas (mesmo que o hodômetro diga que não). Bancos novos também devem ser olhados com um pouco de desconfiança, pois, se eles estão ali, é bem provável que os originais estivessem em péssimo estado. Mas isso nem sempre é verdade, portanto, uma conferida no volante ajuda. Caso ele esteja lisinho-lisinho, o carro realmente conheceu milhares de quilômetros. Uma coisa é certa, nunca compre um jipe olhando o hodômetro. É furada!
3º Estágio - Você agora tem um jipe, mas falta grana para equipá-lo
O Niva agora é seu e você está pronto para encarar as trilhas. Pera lá, meu amigo! Uma simples e barata revisão cai muito bem, aliás, essa revisão é ótima para evitar que as caixas caiam pelo meio do caminho. Como fazer, então? Para início de conversa, pode desmarcar aquele final de semana na praia com seu broto! Tudo o que você vai ver é graxa, suor e lágrimas. Lágrimas? Bom, depois de alguns dias de trabalho braçal no “novo” carango, recomeçar a labuta do dia-a-dia é duro!
Tudo preparado? Os vizinhos, mesmo torcendo o nariz, concordaram com a “mechânica” na garagem? E sua gatinha, entendeu a dispensada? Ela não só concordou como até se ofereceu para dar uma forcinha?! Perfeito! Agora é só deixar a bicicleta pronta para “correr atrás” daquela pecinha que sempre falta e mãos à obra. Com ferramentas e beijinhos, parafusos e palavras de apoio, um novo jipe está pronto para nascer.
Todos os parafusos devem ser checados e apertados. O óleo do motor e o das caixas e diferenciais, trocados. A velha e quase arrebentada correia da bomba d’água tem seu lugar certo no lixo. As velas de ignição… Hummm, ainda estão boas, né? Aqueles pneus velhos e carecas podem dar lugar a novos lameiros. Ainda não balanceados, eu imagino. Esta parte fica para o mês que vem, senão, fica apertado para encher o tanque. Agora sim, “tudo” certo!
Quase! Nunca se esqueça que um jipe é como um filho adolescente. Te dá muitas alegrias e “alguma$ decepçõe$”. Por isso, guarde, sempre que possível, uma graninha para as eventuais necessidadesrefazer um motor de arranque, trocar um filtro de ar ou de gasolina, substituir uma buchinha aqui outra acolá etc. Só não caia na tentação de entrar no cheque especial, por causa daqueles amortecedores Rancho que te indicaram. Para você ter uma idéia, um par de amortecedores pressurizados de boa qualidade (Nakata, por exemplo) está saindo a R$70,00.
E se quebrar na trilha? Você pode ter certeza de uma coisa, isso faz parte da brincadeira, afinal, nenhum jipe é indestrutível! No entanto, dois motivos levam um jipe a quebrar numa trilhafalta de manutenção e exageros. Portanto, se você deu uma geral antes de encarar a trilha e está pegando leve, fique tranqüilo. Qualquer coisa, desça do jipe antes de passar por algum obstáculo que você ache difícil. Do lado de fora do carro, as dificuldades são sempre bem mais fáceis de serem transpostas. A propósito, de todos os equipamentos que um jipe pode ter, o tow-bar (barra de reboque escrita de forma chique) é simplesmente fundamental. Com ele, caso seu carango se recuse a voltar para casa andando, é só engatar em outro 4×4 e pronto!
Outra coisa fundamental em trilhas é a técnica, mas ela só é adquirida com o tempo. Portanto, mais uma vez, pegue leve no pé! Na maioria das vezes (90% das situações), tentar passar na grosseria é coisa de quem não tem técnica. Contudo, tem horas que o acelerador precisa falar mais alto. Para saber se essa hora chegou ou não, preste atenção nos outros. Se alguém conseguiu passar tranqüilo, aquele é o jeitinho certo de fazer a coisa.